segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Festa da Catuaba #12

Foi a última festa da catuaba de 2015.

O evento realizado pela equipe do Mosh! Crew ganhou força e foi completamente profissional. 
A festa estava marcada para outra data, mas foi adiada. Parece que por causa de um problema de saúde que o Douglas Diógenes, um dos integrantes da produtiva dupla, teve. Enfim, em 5/12 foi realizado.

A Festa da Catuaba é o evento com selo Mosh! que mais costuma arrecadar pagantes. As dez primeiras edições foram realizadas no Pioneiros Pub, a partir daí se mudaram para o Zé Beer que tem um espaço bem maior. O problema do calor no local, enfrentado a duras penas na décima primeira edição foi resolvido por completo! Teve gente que, esperando tanto calor, voltou em casa pra trocar de roupa porque não aguentou o frio. (Um pouco de exagero, mas a história é real) 


Embora o objetivo principal da festa não seja lançar bandas novas isso aconteceu de maneira consciente e reverenciável nesta edição. Além da música eletrônica e dos tributos/covers propostos como nas festas anteriores, duas bandas 'surgiram':

SIOUX. É um projeto que uniu os integrantes da Wari à uma voz feminina. Muito bem encaixada na proposta de rock eletrônico dos rapazes. Me parece que apenas músicas covers foram apresentadas, começando com XX e passando por Arctic Monkeys.
Gostei muito. Procurei material sobre eles na internet, mas o máximo que consegui foi descobrir que o nome faz referência à uma etnia indígena norte americana. A banda é recente.

O Masso também é uma banda nova. Que ganhou uma repercussão considerável depois de uma entrevista no Amazônia Revista. Cinco jovens em cima de um palco mostrando músicas autorais. Uma promessa: O Masso ainda será muito visto.

A Par de Sais fez um poket show com a proposta de gravar o clipe de "Desfecho Unâmime". A Gravação estava marcada para o sábado anterior (28/11), mas não aconteceu porque o Grego Pub, onde inicialmente estava marcada a gravação, teve problemas com a energia. O clipe foi adiado e - pode-se dizer - a Par de Sais voltou pra casa ao gravar um clipe no evento do Mosh!
A banda muito bem estruturada e ensaiada, derrapou um pouco no começo do show. O performático vocalista Felipe Ferreira não subiu em cima de nenhuma caixa de som, nem ficou sassaricando demais; bem diferente de outras oportunidades.
Pra mim um sinal de nervosismo, afinal era a gravação do primeiro clipe da banda. Mas isso em nada desmereceu o show. Ao contrário. 

O que me entristeceu realmente foi perceber a ausência de conhecidos rostos. Esperava ver muita gente, cantando junto, com a camisa da banda. Não entendi onde foi parar o discurso do apoio à música autoral. 
Achei que era um momento importante para se estar por perto.
E quem esteve gritou demais! 
A fila do gargarejo disputava com Felipe. 

Com certeza o clipe vai ficar bonito e cheio de amor. Porque é isso que movimenta tudo.
E é isso que deverá movimentar mais um ano de produções Mosh! Crew em 2016. Com ou sem os rostinhos amigos, a roda vai girando e a Festa da Catuaba vem misturando gente que não se via com banda que não se apresentava, num cenário mais movimentado  e propício ao desenvolvimento da arte, da cultura e da música autoral.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

SOMA #6

Esse será o texto mais diferenciado sobre o circuito SOMA que já escrevi. 
Isso porque não consegui ver nenhum show inteiro. Vamos às considerações.

O Grego Pub estava LOTADO! Ai de quem fosse pequeno, tivesse chegado tarde e não tivesse contatos no andar de cima. (meu caso). Cheguei, me espremi entre umas pessoas que pareciam não saber o que estavam fazendo lá, olhei entre as cabeças, vi o cabelo do Mikéias balançando mais ou menos, mas confesso que não me dou muito bem em situações onde não consigo me mexer. Passei mais tempo do lado de fora.
Não estou reclamando. Eu que tivesse aparecido mais cedo e achado um bom lugar pra me alojar. Não quero fazer mimimi. 
Pelo contrário, achei sensacional a casa estar tão cheia. E o mais incrível disso: pra ver três incríveis bandas da cidade. 

É bem verdade que muita gente comprou ingresso logo no anúncio do evento, que incluía na programação a Banda Scalene, de Brasília. Assim como a Versalle, eles tem feito um sucesso e danado no Superstar. Mas depois de uma alteração na data do evento por causa da agenda das duas bandas no programa global, a Scalene acabou anunciando que não viria mais.


A história foi que: O show seria realizado num fim de semana que acabou caindo com a participação das bandas no Superstar, os organizadores resolveram manter a programação, porém no outro fim de semana. Para dar mais força e fazer com que mais gente pudesse ver, dobraram a festa, fazendo SOMA#6.1 e #6.2. Ideia incrível!  Acontece que alguns dias antes do show remarcado, um espirito de porco mandou e-mails ameaçando os integrantes Banda Scalene e por motivos de segurança eles resolveram não vir mais. A mudança pegou um pouco mal pra banda. Calhou de no mesmo fim de semana o Dave Grohl quebrar a perna no meio de um show e continuar tocando. Ficou uma coisa meio assim de 'olha só quem tem compromisso com os fãs'. Sei lá. Eu não acho nada. Não tenho intenção de especular se foi, se não foi ou quem foi que fez o quê. Alguns tentaram fazer piadinha, mas se a história foi assim mesmo acho que feio é pra nossa cara, não pra deles.  

O fato é que com a saída da Scalene entrou a SexyTape na programação. (Fiquei contente com a inclusão). E então passamos a ter duas noites com - possivelmente - as três melhores bandas de autoral da cidade no momento.

Vi um pouquinho da SexyTape. Eles lançaram uma música nova, chama Lorrana, salvo engano. Vi um vídeo na internet dos meninos caindo por cima das coisas no fim do show, Rodolfinho caiu com  bateria em cima do Mikeias, uma loucura. Antes disso, durante o show, o Caio falou muito sobre valorizar o cenário, conhecer quem é daqui. Mencionou a Wari, a Kali e se lembrou de uma noite, quando, junto com a Versalle, tocaram naquele mesmo palco pra um público de 30 pessoas. Naquela noite havia, sei lá, umas 400 pessoas? 
Foto: Mosh!

Eu estava ansiosa pra ver a Par de Sais
Foi a segunda banda.
Miguel, ex baixista da banda, agora integrante da Versalle, não tocou em nenhuma das duas noites. Ouvi dizer que ia rolar uma despedida, uma coisa meio emocionante, mas se teve, não vi.
Depois veio a Versalle, também não vi. Só me liguei que o Gabriel, da Existência Verbal, fez uma rima com eles. Do lado de fora dava pra ouvir as pessoas cantando em uníssono. Era muita gente cantando Verde Mansidão. Deve ter sido emocionante pra eles. Gente de todo tipo. Você olhava pros lados e via gente completamente desconhecida. Aliás, a maioria.

E daí entro numa outra questão. Ouvi uma algumas pessoas fazendo comentários que eu caracterizo como maléficas e vis. 
Muito se fala da popularização da cena da música independente. Que as pessoas deveriam conhecer mais, sair um pouco da música comercial, ver o que as bandas da cidade estão fazendo, etc. Mas quando essas pessoas aparecem - e se apareceram por causa da banda que tá aparecendo no programa da Globo, qual o problema? - vira uma reclamação da porra. Que a menina veio de salto alto e pisou no pé da gatinha que tá Vans, ou que as pessoas que nem gostam da banda estão lotando o espaço; ou que esses playboys deviam voltar pra boate;
Não entendi essas coisas quando ouvi por lá. 

Tem gente trabalhando pesado pra criar espaço, público, fomentar o trabalho das bandas e consolidar uma cena que tem começado um novo ciclo por aqui.
Não acho justo reivindicarmos exclusividade, querer que os eventos sejam sempre aquela coisa com as mesmas pessoas. Ao contrário, acho que a postura deveria ser outra. Deveríamos nos alegrar com a casa cheia e com o sucesso dos amigos que tocaram pra um bocado de gente diferente e agora tem chance de saber se gostam ou não desse som. 
Mas sobretudo, deveríamos nos alegrar com o sucesso dos amigos que vem promovendo eventos e que - certamente - ralaram ainda mais nesse último. É puramente por causa do esforço deles que tem uma luz brilhando no fim do túnel.

Avante todos. Sejamos Versalle, Sexy Tape, Par de Sais, sejamos Wari, Kali, Tuer Lapin, sejamos Os Últimos e sejamos Mosh!
Sejamos o que fortalece a música autoral. 

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Os Mosh anuncia que ainda este ano a Scalene vem a Porto Velho, bem como O Terno, que toca já na próxima edição do Circuito SOMA. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Lete - Cia Beradera de Teatro


Não nasci na beira do rio. Não pesco pra almoçar, e na verdade até pouco tempo nem gostava de peixe. 

Não fui atingida por nenhuma cheia, tão pouco vi tudo o que fora conquistado numa vida ser perdido embaixo d'água.
Nunca corporação alguma me procurou para dizer: pega o que é teu e vai pra outro lugar onde a vida será melhor.
Nunca perdi um parente numa guerra que não era da minha pátria. Nem esperei pelo retorno deste por uma eternidade. E nenhuma vez alguém próximo a mim me deixou para tentar uma vida melhor em outro lugar.

Não tenho minhas raízes fincadas pelas terras de Rondônia. Mas só Deus sabe o quanto Lete me tocou. Como nunca tinha sentido no teatro. Eu chorei. Algumas vezes, aliás. Uma delas foi de rir.

Interessante como a metalinguagem é inserida e algumas vezes parece até que não é peça. Parece que é discussão entre Elizeu e Alessandra. 

Lete já foi apresentada várias vezes em Porto Velho, com elencos distintos, e quem viu antes contou que várias partes mudam a cada vez que o espetáculo toma ar. Ainda assim, algumas impressões denunciam que a apresentação no Teatro 1 do Sesc Esplanada, na data de 20 de maio, tenha sido a mais intensa. Até agora.

Assisti atenta, junto com as outras centenas de pessoas no teatro. Ganhei cachaça do Rodrigo Vrech, que é diretor da peça. Tive que beber - mas não tudo - porque o Sr Raimundo/Elizeu estava com um nó na garganta. Não dava pra beber daquele jeito. A sombra da corrupção tentando se espalhar no atingido. E mais que isso, o fim da força da luta contra todo um sistema que se mostra invencível. 
Foto: Agenda Porto Velho.

Assistindo Lete concluí algo que mexeu comigo:
Algumas pessoas querem dinheiro. Querem poder. Querem uma casa mais bonita com jardim na frente. Rua asfaltada, sistema de esgoto, escola pertinho e outras facilidades urbanas.
Outras, querem aquilo que sempre tiveram: Raízes. 
Cultura fortalecida. Valor naquilo que 'não tem cifrão na frente'. Um café e uma prosa com a vizinha. As crianças tudo brincando na rua. 

Tem gente, percebi, que está alheia à essa corrida estranha da vida que temos nos dias de hoje. Quanto custam as raízes levadas com o desbarrancamento do rio? 

A simplicidade dos itens de cenário da peça se confundem com a vida dos que são ali retratados. E mais que um retrato, Rodrigo Vrech faz questão de lembrar já quase no fim, a peça busca deixa uma reflexão: Centenas de famílias saíram de casa na última cheia e muitas comunidades ribeirinhas do médio e baixo madeira nunca serão mais serão as mesmas. 

Fiquei pensando: qual é o nosso valor?

O da cia Beradera ficou claro. Todos os olhos antes atentos se converteram em palmas que demoraram a cessar quando o espetáculo terminou.
Um belíssimo trabalho que merece ser mostrado quantas vezes mais for possível. E se eu puder ver de novo "é pra lá que eu vou, é pra lá que eu vou".
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Lete é interpretada por:
Andressa da Silva - atriz
Cláudio Zarco - ator
Elizeu Braga - ator
Rodrigo Vrech, ator e diretor

Este ano de 2015 fizeram uma turnê pelo norte do país mostrando a peça à vários estados através do Sesc Amazônia das Artes. 


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Circuito Soma #5


Sempre faço vídeos de algumas músicas em todos os shows que vou. A depender de condições técnicas como bateria e espaço do celular, mas em geral isso é válido.
Descobri porquê agora quando fui começar a fazer esse texto. A desculpa anterior sempre foi 'mostrar pra quem perdeu', mas acabo de descobrir: a verdade é egoísta. Faço isso pra relembrar. E revendo os vídeos penso 'como eu queria voltar àquela noite'. (Aliás, quase todos eventos do MOSH! eu tenho essa sensação.)

Circuito Soma #5

Contrariando as expectativas, a noite começou com show da banda Os Descordantes(AC) e não com a prata da casa, a banda Kali. Expectativas porque, costumeiramente as bandas locais é que abrem pras de fora. Não é regra, nem o mais certo ou mais errado, mas é o mais comum. Um dos organizadores justificou a ordem de entrada das bandas com "Hoje a Kali é a anfitriã". 
A banda passou o último ano em São Paulo trabalhando em novos projetos e esteve em Porto Velho este mês apresentando o single 'Bastará'. (Já falei sobre ele aqui)



O Acre foi representado por Diego Torres, voz e guitarra, George Naylor, bateria, Saulo Melo, baixo, e Heriko Rocha, novo tecladista d'Os Descordantes. Um show sensacional - como todos que já vi até aqui - apresentando em Porto Velho o disco "Espera a Chuva Passar". (Não sem antes um probleminha com o teclado, que logo foi resolvido.) 
Abriram com a música 'Três dias', primeira faixa do cd e primeira a ser tocada em todos os shows que vi; quebrando a sequência do cd a música seguinte foi 'Hombridade'. Ponto alto do show foi em 'Enquanto eu puder'. Aliás, ôh musiquinha que mexe com as pessoas. A mulherada chora, os homens esquecem da dureza que - alguns - se exigem. Todos ficam à flor da pele e sentimentais pra caramba. Serve pra todos os relacionamentos que já tive, e certeza que pro de muita gente por aí também. Acho que isso explica a forte comoção.
Quando a música começou apareceu gente de tudo que era canto pra aglomerar na frente do palco. Nem tinha reparado que tinha tanta gente ali no Pioneiros. Foi uma gritaria danada, um bocado de gente se esgoelando pro palco, como quem diz pra banda "eu estarei do seu lado".

Sai Descordantes e entra Daniel Groove. Opa, sai nada. A exemplo da noite anterior, em Rio Branco, o presidente dividiu palco com a banda acreana, que gentilmente ajudou a embalar os passos do cearense dançante.
Groove anunciou logo de cara: "A primeira vez que vim aqui a gente se conheceu, hoje a gente vai fazer amor". Acredito que ninguém discorda. Tanta gente cantando junto, aquilo mexeu com as emoções de quem estava ali assistindo. Aposto que mexeu com as dele também. Até a música nova 'Jardim Suspenso' já era cantarolada pelos fãs. 

Prestou homenagem à aniversariante, Regina Morão, que ficou agradecidíssima com a dedicatória de Novo Brega. Na mesma linha empolgante o presidente cantou Se você pensa de um outro rei, o Roberto Carlos.

Lá pelas tantas Groove ficou sozinho no palco. Anunciou que tocaria uma música completamente inédita, composta há poucos dias e "triste pra caralho".  Mas ouvi-la foi mérito para poucos. Só quem estava ali na frente e prestando atenção pôde entender a letra; voz e violão contra o burburinho da casa, mesmo após o gentil pedido de silêncio, a conversa atrapalhou um pouco. Pelo que entendi, a música era realmente triste pra caralho. Falava sobre o fim de um relacionamento. 

"Tá fazendo falta, só você... 
Conheço o meu caminho
Sabe que o meu destino passa pelo seu" 



'Nada', outra música triste pra caralho, composta em parceria com Diogo Soares, do Los Porongas (AC), foi cantada em uníssono. Groove não escondeu a satisfação e deixou o pessoal cantar boa parte do tempo. 
Junto com todos que já estavam no palco Thiago Maziero, da Kali, deu uma mãozinha no violão em algumas músicas. Ele usava uma camisa preta, nada que se compare à extravagante bata verde que escolheu para abrilhantar o show da Kali que começaria logo depois.

Vídeos dessa noite:
https://www.youtube.com/watch?v=i0LnUcZt0KE
https://www.youtube.com/watch?v=g4ofeJ_7qlQ

terça-feira, 28 de abril de 2015

O Rappa

- Show bom evento ruim

Alguns diziam que nem teria show. O anúncio veio não se sabe de onde, mas um evento no facebook foi o que anunciou que O Rappa estaria em Porto Velho.

A comunicação e a divulgação no mínimo fraca, foram só alguns dos itens que fizeram do evento um tanto quanto estranho.
Começou na entrada. Tantos panfletos de quantas festas possam existir nos próximos dias. O que eu ia fazer com tudo aquilo? Não levo nem carteira pra não ter que ficar carregando vou, por acaso, ficar carregando papel? Duvido um pouco do retorno que esse tipo de publicidade tem. 

Duvido também que os organizadores da festa tenham o mínimo de conhecimento do cenário musical local. Escolheram pra abertura do show uma banda que há tempos não se via em nenhum lugar. A banda Nitro estava tocando quando cheguei. Nunca a tinha visto tocando, não gostei quando vi. Certo é que a banda teve grande renome no passado, e também que não foi bem recebida pelo público de modo geral. Pelo menos foi o que ouvi.
Mas o baterista me pareceu bom.
Ainda assim senti falta de uma SexyTape, uma Versalle.. Pô, tantas bandas boas na cidade pra abrir um show desses.. 

Quando a Nitro acabou, ninguém subiu ao palco. Não houve música ao vivo por mais de uma hora. Já era cerca de 2h quando o Rappa subiu ao palco. Sob uma salva de vaias, mas subiram. Ninguém aguentava mais esperar. 
[ Ouvi dizer que na noite anterior a banda fez um show em Rio Branco e de lá vieram pra Porto Velho de ônibus. O que deve ter deixado todo mundo meio puto e cansado. Talvez o show tenha atrasado por isso. Talvez não.]

Beleza. Início de show. Abre-se as cortinas. 
Mas ué, cadê todo mundo?
(Reparei que tava todo mundo olhando pro palco através da tela do celular. Mas esse é um outro assunto...)

No palco um baterista e um DJ.
Nunca vi uma bateria fazer um solo tão longo. Nem tão bom. (não em nenhum show assim, ao vivinho).
Foi bem legal, mas acho que era um jeito de ganhar tempo, pra conter o pessoal que já tava ficando meio nervoso.

Falcão entrou no palco com o resto da banda que faltava e fizeram um show que tirou o sono de quem não aguentava mais a música mela cueca que tava antecedendo a banda. 
Os efeitos visuais ficaram bem interessantes também. Antes parecia só um pano pendurado, depois uma reprodução começou a ser feita e deixou tudo mais bacana. 
Eu, e várias pessoas que comentaram comigo, sentiram falta de interação do vocalista da banda com o público. Eles tocaram por muito tempo, mas tive a impressão que foram poucas músicas. Não tenho recordação de uma dúzia de músicas tocadas. E quando achei que o show já estava terminando, e que minha música preferida não seria tocada, lá veio Reza Vela. Foi sensacional. Fecharam o show com uma música do Charlie Brown Jr (?) Não sei porquê.

Como disse no subtítulo: Show bom, evento ruim.

Ah! Não posso terminar sem elogiar o espaço onde o evento foi realizado. Houve uma reforma e tudo foi modificado, há muito mais espaço aproveitado. Mas me incomodou não poder circular entre as áreas. Tentei ir p'rum lugar descoberto e não pude. E se eu tivesse claustrofobia?

Outro ponto positivo: A cerveja não acabou, nem ficou pouca, e nem quente. 
Pelo visto isso os organizadores pesquisaram bem. Aqui em Porto Velho a gente bebe muito mesmo.


Fato curioso: Um rapaz ao meu lado tinha dentro dos ouvidos um pedaço de algodão. Me perguntei: Dor de ouvido? Veio só acompanhar a namorada, mas na verdade gosta dos pagode, ou colocou no pré show e esqueceu de tirar?

Fiz um registro que tá aqui ó: 
https://www.youtube.com/watch?v=tpWJWJ8sAys

sábado, 25 de abril de 2015

Sinto que é esse o nosso tempo

- Banda Kali em Porto Velho



Depois de um ano em São Paulo Kali Tourinho e seus kalhordas voltaram à Porto Velho com o intuito de apresentar a música nova 'Bastará'.

Durante esse período a banda passou por grandes processos de mudança, inclusive no nome. 
Há boatos que quem sugeriu que Kali e os Kalhordas se tornasse só Kali foi Diogo Soares, vocalista do Los Porongas, banda do Acre que também está em São Paulo fortalecendo carreria. Na história que roda "Kali" tem mais impacto. E até um certo espaço pra interpretações diversas, não?

A música nova também mostra um certo amadurecimento. A banda sempre falou da vida com otimismo, mas em Bastará  isso aparece de uma maneira quase que visual. Dá pra ver Kali e Thiago sofrendo na selva de pedras e crescendo com o sol. Mas a música trata de aceitação "Sinto que é esse o nosso tempo".

Na, tão esperada, apresentação Teatro 1 lotado! Gente em pé, sentada, nas escadas, no corredor.. 
Antes do show Kali disse que estava nervosa demais, passou pelas pessoas e carinhosamente falou com todos, depois se retirou. Já no palco, claro nervosismo. Nada que comprometesse, mas comparando o inicio e o final do show, a energia era outra!

Talvez do inicio pro fim tenha dado tempo dela sentir o palco direito. Como sempre faz, assim que subiu já tirou o sapato e ficou descalça.

Começaram com, talvez o maior sucesso da banda, Decisão. Mas com um arranjo diferente. Emendou com Querido Pai música que Kali compôs pro aniversário do pai. 
E vieram outras canções novas e antigas, mas nenhuma com a mesma cara. "A gente enjoa de tocar a música sempre do mesmo jeito, daí a gente fica inventado". disse no palco enquanto justificava a mudança nos arranjos. Reinventaram também uma música do Ben Jor e convidaram ao palco amigos que deixaram o show ainda mais especial. 
Banda Kali e Criston Lucas. Foto: Jaqueline Fonseca

Criston Lucas, vocalista da Versalle, foi o primeiro. Juntos interpretaram O Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes. Me surpreendi com o moço cantando Vinicius. Na sequência, Poeta Amadio com um vozerão que combinava com a imponência da poeta. Kali musicou um poema dela e ficou brilhante. Kali cantou e tocou violão, Poeta Amadio recitou, e as duas emanaram amor. Ambas lindas e com pés descalços.
[Na avaliação de Kali ela não se saiu bem na viola não. "Gente, juro que toco melhor que isso". Uma menina  na plateia gritou 'Queria eu tocar mal assim' Acho que todos concordaram.]

Binho seria o terceiro convidado, mas não esteve presente. Thiago se apropriou das tecnologias pra mandar um áudio pra ele. Mas não sem antes passar vergonha. O celular travou na hora H. TJ foi salvo pelo tecladista, Jefferson que emprestou seu celular e lá se foi o áudio: umas trezentas pessoas gritando "SALVE BIIINHO". 

Grandes sucessos do primeiro disco da banda como "...e a primavera chega" e "eu quero é mais" ficaram de fora. O que quebrou algumas expectativas, pelo menos as minhas. 
Os novos arranjos das músicas antigas mostraram uma Kali mais 'balançante'

Fora isso, ficou claro que esse um ano juntos em confinamento na grande São Paulo fez muito bem pra banda. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Criolo no Mandinga Festival - Cuiabá

O rolê foi grande pra chegar à Cuiabá e acompanhar o show do Criolo. 1500quilômetros, 25 horas de viagem num busão sem ar.

O Mandinga Festival fez com que 2014 fechasse com chave de ouro os maravilhosos shows que vi.
Longe de qualquer apresentação que já, vi Criolo e banda se mostraram completamente entrosados e muito, mas muito de bem. Apresentaram canções do álbum "Convoque seu Buda", de 2014, e cantaram outras músicas do cd anterior "Nó na orelha".

O festival foi realizado no parque de exposições da capital matogrossense e outras bandas abriram pra atração principal. Ainda vi um tiquinho de campograndense Cha Noise enquanto entrava. Só posso dizer que me arrependi de não ter chego mais cedo.
No local ainda havia grafitagem em alguns pontos. Inclusive Criolo parabenizou durante o show o artista que fazia um graffiti no alto da arquibancada.


Além de fazer as críticas sociais explícitas nas letras, Criolo falou duas vezes sobre a importância da presença de cada um dos que ali estavam "é difícil fazer evento, trazer 12 maluco de outro estado, a gente tem que agradecer mesmo" e na sequência tocaram subirusdoistiozin ~é uns menino bom, novo... ~


"Não existe amor em SP" me pareceu a música mais apática. Não sei se pela cisma que tenho com ela, ou se todos tiveram a mesma impressão.
No mais deu trabalho chegar lá, foi caro, mas valeu a pena. 
Um maravilhoso show pra fechar meu 2014.

O Vacilo: Não ter levado bandeira de Rondônia.

Nota Mental: Levar bandeira do estado de Rondônia no próximo rolê interestadual.


Registros: https://www.youtube.com/watch?v=Giw0bwl4mGI
https://www.youtube.com/watch?v=2OZ2iT20YN4
https://www.youtube.com/watch?v=-Lq8ihekW1g