sexta-feira, 19 de junho de 2015

SOMA #6

Esse será o texto mais diferenciado sobre o circuito SOMA que já escrevi. 
Isso porque não consegui ver nenhum show inteiro. Vamos às considerações.

O Grego Pub estava LOTADO! Ai de quem fosse pequeno, tivesse chegado tarde e não tivesse contatos no andar de cima. (meu caso). Cheguei, me espremi entre umas pessoas que pareciam não saber o que estavam fazendo lá, olhei entre as cabeças, vi o cabelo do Mikéias balançando mais ou menos, mas confesso que não me dou muito bem em situações onde não consigo me mexer. Passei mais tempo do lado de fora.
Não estou reclamando. Eu que tivesse aparecido mais cedo e achado um bom lugar pra me alojar. Não quero fazer mimimi. 
Pelo contrário, achei sensacional a casa estar tão cheia. E o mais incrível disso: pra ver três incríveis bandas da cidade. 

É bem verdade que muita gente comprou ingresso logo no anúncio do evento, que incluía na programação a Banda Scalene, de Brasília. Assim como a Versalle, eles tem feito um sucesso e danado no Superstar. Mas depois de uma alteração na data do evento por causa da agenda das duas bandas no programa global, a Scalene acabou anunciando que não viria mais.


A história foi que: O show seria realizado num fim de semana que acabou caindo com a participação das bandas no Superstar, os organizadores resolveram manter a programação, porém no outro fim de semana. Para dar mais força e fazer com que mais gente pudesse ver, dobraram a festa, fazendo SOMA#6.1 e #6.2. Ideia incrível!  Acontece que alguns dias antes do show remarcado, um espirito de porco mandou e-mails ameaçando os integrantes Banda Scalene e por motivos de segurança eles resolveram não vir mais. A mudança pegou um pouco mal pra banda. Calhou de no mesmo fim de semana o Dave Grohl quebrar a perna no meio de um show e continuar tocando. Ficou uma coisa meio assim de 'olha só quem tem compromisso com os fãs'. Sei lá. Eu não acho nada. Não tenho intenção de especular se foi, se não foi ou quem foi que fez o quê. Alguns tentaram fazer piadinha, mas se a história foi assim mesmo acho que feio é pra nossa cara, não pra deles.  

O fato é que com a saída da Scalene entrou a SexyTape na programação. (Fiquei contente com a inclusão). E então passamos a ter duas noites com - possivelmente - as três melhores bandas de autoral da cidade no momento.

Vi um pouquinho da SexyTape. Eles lançaram uma música nova, chama Lorrana, salvo engano. Vi um vídeo na internet dos meninos caindo por cima das coisas no fim do show, Rodolfinho caiu com  bateria em cima do Mikeias, uma loucura. Antes disso, durante o show, o Caio falou muito sobre valorizar o cenário, conhecer quem é daqui. Mencionou a Wari, a Kali e se lembrou de uma noite, quando, junto com a Versalle, tocaram naquele mesmo palco pra um público de 30 pessoas. Naquela noite havia, sei lá, umas 400 pessoas? 
Foto: Mosh!

Eu estava ansiosa pra ver a Par de Sais
Foi a segunda banda.
Miguel, ex baixista da banda, agora integrante da Versalle, não tocou em nenhuma das duas noites. Ouvi dizer que ia rolar uma despedida, uma coisa meio emocionante, mas se teve, não vi.
Depois veio a Versalle, também não vi. Só me liguei que o Gabriel, da Existência Verbal, fez uma rima com eles. Do lado de fora dava pra ouvir as pessoas cantando em uníssono. Era muita gente cantando Verde Mansidão. Deve ter sido emocionante pra eles. Gente de todo tipo. Você olhava pros lados e via gente completamente desconhecida. Aliás, a maioria.

E daí entro numa outra questão. Ouvi uma algumas pessoas fazendo comentários que eu caracterizo como maléficas e vis. 
Muito se fala da popularização da cena da música independente. Que as pessoas deveriam conhecer mais, sair um pouco da música comercial, ver o que as bandas da cidade estão fazendo, etc. Mas quando essas pessoas aparecem - e se apareceram por causa da banda que tá aparecendo no programa da Globo, qual o problema? - vira uma reclamação da porra. Que a menina veio de salto alto e pisou no pé da gatinha que tá Vans, ou que as pessoas que nem gostam da banda estão lotando o espaço; ou que esses playboys deviam voltar pra boate;
Não entendi essas coisas quando ouvi por lá. 

Tem gente trabalhando pesado pra criar espaço, público, fomentar o trabalho das bandas e consolidar uma cena que tem começado um novo ciclo por aqui.
Não acho justo reivindicarmos exclusividade, querer que os eventos sejam sempre aquela coisa com as mesmas pessoas. Ao contrário, acho que a postura deveria ser outra. Deveríamos nos alegrar com a casa cheia e com o sucesso dos amigos que tocaram pra um bocado de gente diferente e agora tem chance de saber se gostam ou não desse som. 
Mas sobretudo, deveríamos nos alegrar com o sucesso dos amigos que vem promovendo eventos e que - certamente - ralaram ainda mais nesse último. É puramente por causa do esforço deles que tem uma luz brilhando no fim do túnel.

Avante todos. Sejamos Versalle, Sexy Tape, Par de Sais, sejamos Wari, Kali, Tuer Lapin, sejamos Os Últimos e sejamos Mosh!
Sejamos o que fortalece a música autoral. 

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Os Mosh anuncia que ainda este ano a Scalene vem a Porto Velho, bem como O Terno, que toca já na próxima edição do Circuito SOMA. 

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