domingo, 29 de junho de 2014

Dois Coelhos, 2012. Filme de Afonso Poyart.

Roubo, explosão, fuga, plano mirabolante, tiroteio no meio da metrópole.. Parece um desses grandes filmes de ação gringo. Mas é um filme brasileiro, narrado em primeira pessoa por Edgar, interpretado por Fernando Alves Pinto. (E aliás, que narração!)

Edgar, é um playboy genial e habilidoso com bombas, muito tempo vago. Apaixonado por uma moça e com uma imagem meio embaçada de justiça. Mas, sobretudo, convicto de seu magnífico plano. (Que, convenhamos, só deu, efetivamente, certo, com um empurrãozinho do destino. Este que, sim, tem real noção de justiça e de um jeito ou de outro a cumpre). Só um peão foi movido diferente do planejado, e por isso o desenho visto de cima ficou diferente. 

Sobre o filme:
Pra mim, é um dos melhores filmes brasileiros. E vamos à defesa:
Assisti hoje pela quarta ou quinta vez, e entre tantos detalhes, um novo se sobressai cada vez (como na maioria dos filmes). O que chama atenção neste é a perfeição do plano de Edgar. SURPREENDENTE. A cada nova cena um novo fato é mostrado, e muitas vezes o narrador protela algum detalhe para depois ele vir com mais força. Ás vezes, dar um nó na cabeça.

O filme usa muitas referências pops e uma trilha sonora que, eu pessoalmente, aprovo. Nunca vi Paciência caber tão bem em alguma cena como coube nas crises de pânico de Julia (Alessandra Negrini). Ela tenta fugir das crises sem remédio, e cantarola a canção, que na verdade não fala de calma, e sim de luta.

A narração tem um curioso e envolvente que vai e vem. Dá vontade de saber o que isso tem a ver com a aquilo, e como é que vai chegar lá.. A meu ver, construído, como um filme deve ser. Além disso, foge bastante dos padrões brasileiros.
Observo em vários deles cenas longas, silenciosas, e algum tipo de cunho social.. Neste as personagens estão envolvidas em pura corrupção do começo ao fim e até essa teia é traçada com muita, muita riqueza de detalhes.


Li que foi o primeiro filme de Afonso Poyart, que também é dono do roteiro. Inaugurou muito bem! Tanto que foi indicado à vários prêmios nacionais e internacionais. 

Críticas do filme:Ometele ; Adoro Cinema

Trailler
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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Estorvo, o livro, de Chico Buarque de Hollanda


   A história começa com uma visita inesperada, e é toda narrada em primeira pessoa por um sujeito sem nome - assim como todos os outros personagens. Chico opta por trata-los fazendo referência à características como "magro de camisa quadriculada", isso ajuda a construir uma imagem mental das pessoas que entram na história.


   A Narrativa é traçada com muita subjetividade, e a todo momento parece querer dizer mais do que realmente está escrito.
      Por vezes o que é real se confunde com os devaneios do narrador, que se perde nos próprios pensamentos contando com riqueza e detalhes situações que, na verdade, não aconteceram.

     De modo geral, entre a irmã, o sítio da família e a ex mulher, fica claro que o narrador não cabe em nenhum desses lugares. Talvez por isso o nome do livro.

Ao sair de sua casa, no inicio da história, incomodado por alguém que nunca foi revelado quem seria, ele começa a busca um abrigo, um local que lhe sirva para proteção, mas a história - e provavelmente a vida - acabam antes que ele encontre esse local.



P.S.: Prefiro Chico compondo musicalmente.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Egypcio em Porto Velho



Pela sexta vez Egypcio esteve em Porto Velho, agora sem os outros integrantes do Tihuana. A Proposta do show era fazer um show do Tihuana com uma banda local tendo apenas o vocalista como integrante 'original' da banda. 



A casa estava lotada. - E atrás de mim ouvi uma moça reclamar quando o espaço começou a apertar. (Desculpe, não posso fazer nada.) Mas também não fiquei feliz quando pisaram com um salto fino no meu pé.

Entre o repertório muitas músicas dos Raimundos, Charlie Brown Jr, também aquela mais famosa do Surto e algumas da Legião Urbana, mas do Tihuana, contadas à dedo não passaram de três ou quatro.
Ouvi uma amiga dizendo "Ele fez certo, sabia que nem todo mundo iria conhecer as músicas do Tihuana e resolveu cantar de outras bandas. Gostei!". 
Divago: Não sei não. Se eu saio da minha casa pra ver um show de uma banda são as músicas desta que espero assistir (ou que pelo menos boa parte do repertório seja da referida).

Mas tudo bem. As músicas de várias bandas bacanas, interpretadas por Egypcio, fizeram o público do Grego Pub pular. Daí até o moço esquecer parte das letras de quase todas as músicas é uma queda bem grande de qualidade. 

Pra diminuir os erros, Ageu Rios, vocalista da banda Fábrica Rock de Porto Velho, foi chamado ao palco. Outro erro. Além de errar letras de músicas famosas do Charlie Brown não soube a hora de parar de falar. 
Mas foi engraçado. 

Apenas as músicas da Legião estavam bem assimiladas. Provavelmente pelo trabalho que Egypcio vem desenvolvendo com parte dos integrantes do Charlie Brown Jr, em que a banda de Renato é homenageada. Em entrevista ao Amazônia em Revista Egypcio disse que a Legião foi a banda que o quis ter uma banda. 

Mas os deslizes não atrapalharam o show. 

Muita gente ali estava pela primeira vez vendo um show com aquelas músicas que marcaram a adolescência (inclusive eu). "Caramba, eu super ouvia na oitava série" Disse uma amiga minha, que hoje tem 22. Por outro lado, quando foi introduzir (salvo o engano) a terceira música do Tihuana no show - já pelas tantas da madrugada - Egypcio disse: "Essa nós lançamos há 14 anos" quando começou "Que vês" esses mesmos que há 14 anos eram só crianças, e os trintões ali presentes cantaram juntos "QUANDO A MENTIRA A-CA-BAA-AAR".

O show poderia ter sido menos cover, mas não deixou de ser bacana por isso. 
* Bacana é um adjetivo bom o suficiente para um show mal ensaiado.

* O pré show com tributo à Engenheiros do Hawaii, e pós show com tributo ao Barão não foram mencionados porque não assisti à nenhum deles.